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Vida(s) - parte 2


Obrigado a todos os que visitaram o meu blog e leram a primeira parte desta pequena "história" que escrevi.
Como prometido, aqui fica mais um pouco da história :)

(Para lerem outras partes da história basta clicarem na TAG "vida(s)" que se encontra no lado esquerdo do blog)


Quando os pais de Martim chegaram a casa para almoçar, estranharam a presença do filho, pois ele almoçava sempre na escola:

- Martim? Estás bem filho? Que estás a fazer em casa a esta hora? Não tens escola?

Martim escreveu, mentindo:

CALMA MÃE, ESTÁ TUDO BEM. EU É QUE TIVE UMA PEQUENA INDISPOSIÇÃO E VIM MAIS CEDO PARA CASA.

- Mas é preciso ir contigo ao hospital? – Perguntou o pai.

NÃO, JÁ ESTOU BEM.

- Ok, à tarde ficas em casa, mas se precisares de algo telefona logo. Agora vamos almoçar que estamos com pressa. 
Eu e a tua mãe ainda temos de ir hoje para o tribunal por causa de um caso de última hora.

MAS É GRAVE?

- Não, foram só uns documentos mal arquivados e temos de ir lá assinar a papelada outra vez!... É verdade, já viste os novos vizinhos?

Martim engoliu em seco e, fingindo que não sabia de nada, escreveu:

NÃO, QUEM SÃO?

- São uns amigos nossos. – Disse a mãe – Conhecemo-los do nosso escritório. São clientes da nossa firma praticamente desde que abriu, e como andavam à procura de casa, demos-lhes uma dica sobre esta aqui do bairro.


Quando Martim ouviu aquilo nem queria acreditar. Tinha-se acabado de cruzar com a suposta filha dos amigos dos seus pais. A sua cabeça voltou a perder-se em pensamentos:

“Como é que agora a vou encarar? Será que ficou chateada comigo? Devia ao menos ter-lhe deixado um bilhete. E se ela for como os outros todos que me rejeitaram? Não sei que fazer, para não variar!”

- Martim?... Martim?... MARTIM! ESTÁS A OUVIR-ME? – grita o pai.

De repente Martim acorda e olha para os pais, sem saber como reagir.

- Estás bem Martim? Primeiro estás a ouvir-me e dum momento para o outro ficas a vaguear na lua. Que se passa?

Martim acena com a cabeça, a afirmar que está tudo bem, e desata a correr para o seu quarto.
Após esta atitude, os pais reflectem sobre o assunto:

- Sabes Rui, acho que o Martim devia voltar a consultar um psicólogo, quem saiba desta vez um psiquiatra.

- Estás doida Sofia? – Responde o pai indignado. – O meu filho não é maluco. Ele “simplesmente” não fala, de resto está bem de saúde.

- Não venhas outra vez com essas merdas. Ela não é teu filho, ele é como se fosse meu também. Já viste as atitudes dele? São cada vez mais estranhas.

- Mas isso é normal na idade dele. Está na fase das mudanças, na escola não tem amigos, sente-se sozinho, rejeitado. É natural. Temos é de lhe dar tempo e espaço.

- E mais atenção! Ultimamente andamos cheios de trabalho que até nos perdemos nas horas.

- Tens razão, ver se tiramos alguns dias de férias para passarmos algum tempo com ele. O Martim precisa do nosso apoio. Logo quando chegarmos eu tenho uma conversa com ele, está bem?

- Está bem. Mas agora vamos mas é almoçar que já estamos quase em cima da hora de ir para o tribunal.

- Vai chamar o Martim. – Disse o pai.

- Deixa-o estar, ele depois quando quiser come, agora de certeza que deve querer ficar sozinho com os seus pensamentos.


Entretanto, já no seu quarto, Martim volta a espreitar pela janela, mas desta vez já não conseguiu ver nada. Estava tudo muito sossegado. Nisto pensou:

“De certeza que agora devem estar todos a almoçar, não importa. Mais logo tenho de ir falar com ela. Tenho de ganhar coragem!”


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(Continua...)

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